31.5.12
Canção
Os dias minguam, entoo um canto que não é meu
Desapareço nas expectativas de uma imagem produzida
A tintura no rosto ressalta as bochechas e maquia fraquezas
A máscara ressalta os olhos e esconde o olhar
O sabor acre é ainda a única sensação do paladar
As palavras perder e ganhar perderam o sentido e a coerência
Sentada na sala a vida é uma espera...
espera do anoitecer, do próximo café,
espera do banho, da próxima refeição,
espera do trabalho, do próximo riso
Cronos, a vida é esse ciclo de horários intermináveis?
Pois mesmo o que se diz fora da rotina, cria pra si um vício esquisito de fuga dos horários
Uma prisão medida noutro tempo
O tempo que não está dentro da ampulheta, quem pode contar?
Na garganta um choro, um grito, um canto sufocado escorrega pela faringe,
chega aos pulmões, atravessa o peito
Fica difícil respirar quando falta o principal: motivo
Fernanda
"(Escrevo) porque o instante existe e minha vida (não) está completa. Não sou alegre ou triste, sou poeta" Cecília Meireles revisitado
Luna Pla♀ha
5.12.11
Na agulha

Com que arma se mata o tempo?
Será que a sorte vem?
Mato e morro tentando chegar
Meus receios vem pra desarmar
O tempo se mata morrendo também
há quem conte o tempo e morre contando
há quem foge do tempo e morre fugindo
há quem perde o tempo e morre perdendo
há quem ganha tempo e morre perdendo
há quem...
Cada célula que morre afogada no álcool, no éter, na água, no ar, no nada
viveu pra chegar ao fim
pra ser e brilhar
porque tudo que empalha tem o valor das pinturas
inerte o mito se forma
E soberana é a vontade de quem vive pra morrer
é a verdade que o tempo faz conhecer
Luna Pla♀ha
5.11.11
Ciclos
Hoje acordei com os sonhos à flor da pele
Com vontade de mudança, de fazer o novo acontecer
Já dizia meu mestre pré-socrático tudo é movmento
A inércia nunca me pertenceu, mesmo quando tomada pelo ócio criar é meu prazer
Da vida sei pouco, cada dia descubro algo e redescubro outras coisas que pensava saber
Espanto e admiração
Luna Pla♀ha
1.11.11
Rotina
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